Mente Quieta

September 2, 2011

Passa o tempo

Filed under: Pensamentos

[mais divagações sobre tudo ao mesmo tempo agora]

  Estava lendo alguns dos blogs que eu acompanho e acabei ficando meio fora do ar com a notícia de que a Carol (Tchulim, namorada do Morróida) havia sido atropelada e estava no hospital. Além da estranha preocupação com uma pessoa que não faz nem idéia de que eu existo, me peguei admirando e até invejando a menina de 24 anos que sabe sorrir. O relato do Fabio (http://www.morroida.com.br/licoes-de-vida-2/) mostrando o quanto ela está de bem com a vida mesmo com um monte de pinos, sem andar e com um braço Robocop me fez me sentir "estranha". A provocação era clara e a minha resposta também: "se fosse com você, como você estaria?". Bem… com certeza eu não estaria bem como ela.

   E fui divagando, divagando, divagando… Essas "invejas" do cotidiano servem para que afinal? Será que você consegue "se mudar", mudar sua essência, sua reação, seu comportamento? Será que as nossas reações em situações graves dependem de algo da sua "alma"? É de "nascença"? É adquirido? Podemos mudar? Se "forçarmos" o sorriso, um dia ele vira verdade? Ou será que quem sorri demais está apenas representando um papel? Ou está reagindo como foi acostumado? Será que ele inveja aquela pessoa que sabe brigar na padaria por conta de uma injustiça?

   Não sei. Alguém tem algum estudo por aí?

   E pior… Aqui no trabalho estou em um novo projeto. De novo aquela vida louca quando eu queria um pouco de paz. Ainda não sei se foi bom ou ruim, estou tentando me concentrar e produzir (e me superar e blablabla-empresa-sachê). Talvez eu só saiba no ano que vem. Talvez eu nunca saiba se foi melhor ou pior do que ficar em uma área "estável". E no projeto tem uma menina que sorri. Ela é muito boa nisso, muita gente a admira. Eu a admiro (não tanto quanto tenho admirado a Carol). Mas talvez eu encontre alguma resposta. Ou talvez eu apareça com mais dúvidas.

   Por enquanto só preciso de um chocolate quente, um colo confortável e um tempo para pensar e relaxar um bocado.

January 19, 2011

A vida na caixa

Filed under: Pensamentos

[divagações]

A vida na caixa pode ser uma vida levada de acordo com os famosos padrões da sociedade, como a mulher deixar de dar para o cara no primeiro encontro porque será rotulada como "vagabunda" - fatos estes amplamente (bem) explorados por blogs como o Paperback Writer Girl e o Papo de Homem.

Mas a vida na caixa também pode ser uma vida de restrições causadas por você mesmo ou por um terceiro. Podemos ter uma vida na caixa quando começamos a fazer academia e paramos de tomar refrigerante por causa de um namorado que diz que estamos gordas / com celulite ou porque colocamos em nossas próprias cabeças que este é um comportamento desejável, que levaria a tal da perfeição.

Se a decisão foi SUA porque sentiu vontade / quer uma vida mais saudável / teve uma recomendação médica é uma coisa. Outra totalmente diferente é ter um parâmetro que faz com que você tenha que se controlar / se policiar 24 horas por dia dado por uma pessoa que quer te colocar para baixo e que não te traz benefícios reais. Ou seja, que te coloca NUMA CAIXA sem escolhas.

Essa é a sensação de alguém que vive em um relacionamento que faz com que ela tenha que pensar 10 vezes antes de falar alguma coisa, mesmo que tenha CERTEZA que o cara está errado e a magoou. Ela precisa entendê-lo e não reclamar de seus erros porque os mesmos foram "sem querer". E assim ele não precisa se esforçar para entender o motivo dela estar tão "alterada". Foi "sem querer".

Até quando vai durar? Só ELA sabe.

January 10, 2011

PT vs PSDB - quem perde é você

Momento revolta…

Acompanho as discussões sobre política brasileira em alguns fóruns. Confesso (e não deveria) que de vez em quando eu gosto de dar uma "trollada" no pessoal, até porque é bem fácil tirar o povo extremista do sério - e também é bem divertido.

Mas também confesso que muitas vezes perco as esperanças de ver um país melhor em um espaço de tempo razoável (razoável = ainda estar viva para ver a diferença).

Hoje as pessoas defendem seus pontos de vista como se fossem times de futebol: não importa as cagadas que os mesmos façam: o que vale é o "coração". É impressionante o número de pessoas justificando uma roubalheira qualquer com argumentos ridículos e infantis como percentual de aprovação (ou qualquer índice que for positivo no momento), com um ou dois fatores bons do governo (como se os anteriores ou de oposição não tivessem nenhum) ou com o famoso (e mais infantil): "o outro também faz/ faz pior/ fez e não foi punido".

Parece um bando de gralhas histéricas defendendo um ser mitológico. Gente, acorda… Essa "pessoa" nem sabe que você existe, não quer saber de nada além do seu voto e ADORA que você fique ao lado dela, mesmo que ela roube o SEU dinheiro. Aliás, você que aceita que levem SEU DINHEIRO sem reagir e ainda APOIA e JUSTIFICA o ato, pode escolher seu chapéu: palhaço-manipulável ou bandido-sem-caráter.

Até porque, da mesma forma que na política, enquanto os torcedores se matam nos estádios, os jogadores estão comendo picanha em algum restaurante chique da cidade. JUNTOS.

E é esse o futuro que você está construindo para você mesmo e para sua família, portanto NUNCA mais reclame quando cair num buraco, for assaltado, atingido por enchente, tiver de esperar em hospital público, precisar de cota porque não aprendeu nada na escola, passar anos tentando se aposentar para receber mixaria, tiver de pagar quilos de imposto, conseguir comprar um carro que em outros países é carro de estudante universitário. Foi você quem escolheu.

January 6, 2011

O Banho

Filed under: Pensamentos, DDA

Começo a tomar banho, ligo a água.

Escovo os dentes. Ou não. Será que a esquila está bem? Ontem choveu demais.

Nossa, não posso esquecer de tirar a carne para o jantar. Aquela discussão sobre política me estressou muito ontem. Será que as pessoas leriam um texto sobre isso?

Sabão.

Texto… mas as pessoas não lêem. Gostaria de dar uma palestra sobre posse responsável. Cachorros. As cachorras não tem jeito mesmo. Bom… eu também não tenho tempo.

Sabão para o rosto. Será que eu escovei os dentes? Melhor escovar de novo.

Nossa… eu tinha uma reunião marcada para as 9:00. Será que vai dar tempo? Vai, é só eu já pensar na camisa que vou colocar. A verde. Não, está lavando. A rosa? Não, muito marcante. Vou de branco. Beleza… Preciso me apressar. Eu lavei as costas?

Sabão com atenção. Escovo os dentes talvez pela terceira vez.

Demorei uma meia hora. E não, não vou chegar antes das 9:00.

January 3, 2011

DDA - Como eu sei que tenho isso?

Filed under: DDA, Impressões

Continuando a empolgação da retomada do blog, gostaria de falar sobre o tal do DDA (preciso me acostumar a escrever a sigla com pronome masculino) :P .

Muita gente deve associar, como eu fazia, DDA com a hiperatividade. E muita gente deve achar também que está na moda ser hiperativo, ter DDA ou qualquer coisa que possa ser dita em uma entrevista como sendo algo da "nova geração".

Desmistificando: o DDA pode ter três características "básicas", que se manifestam combinadas ou isoladas em cada caso. A mais conhecida é a hiperatividade. As outras duas são a desatenção e a ansiedade/ impulsividade. Cada uma delas (e suas combinações) geram conjuntos de sintomas um pouco distintos.

Eu nunca desconfiei ter DDA porque eu não sou hiperativa. Muito pelo contrário, posso passar horas na mesma posição. Meu caso é de ansiedade / impulsividade e deste eu posso falar com alguma propriedade.

De forma geral (independetemente da característica predominante) o DDA é desatento, desorganizado, tem dificuldade de concentração, de começar e terminar tarefas (começar é fácil, seguir adiante…). O curioso é que para assuntos que despertam atenção, ele pode ter hiperfoco, ou seja, passar horas, dias, meses focado no assunto (muitas vezes esquecendo-se de se alimentar, de dormir, de compromissos importantes).

O DDA acontece com um desequilíbrio químico no cérebro, que faz com que o cérebro crie ondas lentas quando a pessoa força a concentração. Ou seja, pessoas "normais" acham uma matéria chata, sentam, desligam a TV, forçam a concentração e estudam. Pessoas com DDA sentam, desligam a TV, forçam a concentração e o cérebro produz um monte de ondas lentas, que fazem a situação ficar pior ainda (não à toa eu dormia em cima dos livros). Quanto mais a pessoa força, pior fica.

O organismo aprende a trabalhar com essa deficiência e modela mecanismos para driblar o "sono" do cérebro. Podem buscar conflitos, por exemplo. As discussões estimulam o cérebro e são uma forma de fazê-lo funcionar melhor. Competitividade, busca por múltiplas tarefas, procrastinação (lembram-se do meu antigo post, quando falava sobre como esse comportamento gerava estímulos?), novidades. Todas são formas de fazer a máquina trabalhar mais rápido.

O fato é que DDA não é modinha nem preguiça, é físico mesmo. E por vezes parece não representar um problema de fato.

Por exemplo: eu sempre achei que meu hiperfoco era só um interesse, um hobby. Também sempre achei que era normal começar a ler uma página de um livro (que você acha legal) e perceber que meia hora depois pensou na lista de compras, na história da 2ª Guerra, na casa que você quer comprar daqui 50 anos, no trabalho que você tem que entregar. Pois é… DDA + ansiedade = falta de foco, porém excesso de pensamento.

Quem me vê não imagina que eu tenho DDA. Aprendi a conviver com isso mesmo não sabendo que tinha isso. Trabalho em uma empresa com horários flexíveis, mudei algumas vezes de área (gera novidade que gera interesse que gera foco), vivo inventando formas de não deixar nada para trás. Na escola prestava atenção na aula para não ter que estudar em casa (exceto biologia que eu sempre gostei). Passei de ano sem recuperação, entrei em boas faculdades, terminei o curso só reprovando por faltas (hiperfoco no trabalho - rs). Isso tudo significou ter uma boa avaliação anual, ser considerada diferenciada e ter possibilidade de escolher mudanças para a outras áreas. Tive e tenho relacionamentos estáveis, razoavelmente longos. Enfim, nada que desperte grandes suspeitas.

Porém ter DDA também me fez perder muitas noites discutindo na internet. Me fez sentir ENORME dificuldade em provar que minha desorganização não era prejudicial a uma promoção a um cargo de gestão de pessoas. Ter DDA fez com que eu me sentisse meio inadequada quando todas as pessoas que eu conhecia conseguiam passar algumas horas estudando antes das provas. Isso tudo somado a minha característica predominante - a ansiedade - me fez dar respostas impulsivas, impensadas. Me fez "cortar" diálogos, fazer escolhas precipitadas e brigar com amigos. Me fez piorar da gastrite, me fez começar a ter insônia - o que me levou a um tratamento de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) e eu descobri que remédios podem ajudar de verdade.

Ou seja, apesar de aparentemente ser "normal" emoticon, algumas coisas não andam realmente 100%.

A parte boa é que como eu disse no outro tópico, conhecer o processo faz com que você tenha poder para interferir no mesmo. Sabendo o que eu tenho eu posso parar para pensar, eu posso não ser impulsiva porque eu sei que é meu cérebro tentando funcionar melhor e não um "sexto sentido" qualquer. E foi assim que eu comecei a mudar. Não meus interesses, mas o rumo da minha vida. Não minha personalidade, mas como eu encaro certas coisas. E pode apostar: tem valido a pena.

Para quem quiser saber mais:

http://blog.desfavor.com/2010/12/desfavor-explica-disturbio-de-deficit.html

http://www.orientacoesmedicas.com.br/hiperatividadedda.asp

O site com depoimentos:

http://www.mentalhelp.com/sou_desatento.htm

Depois de 30 anos eu (acho que) sei quem sou

Filed under: Pensamentos, DDA

Depois de longo período de ausência (um ano!), de inúmeros quase-posts, posts des-publicados e de muitas cabeçadas por aí, estou iniciando uma nova fase. Não é por conta do ano novo, não é promessa de Reveillon nem mesmo uma resolução de Natal.

É uma nova fase que poderia ter sido iniciada em julho, em agosto ou em janeiro (por que não?). Não sei se vai para frente, não sei se desistirei antes de postar este texto. O que importa é que compartilhando tudo ou não, é uma nova fase.

Para os curiosos de plantão, isso tudo se iniciou com um post de um blog chamado Desfavor. Sempre acompanho as postagens, desde as mais nerds até as mais escrachadas (que, por acaso, são as que mais gosto).

Era uma postagem sobre DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) e comecei lendo o post pensando em enviá-lo para uma pessoa que trabalha comigo.

Eis que no meio do caminho descubro que aqueles "sintomas", que sempre julguei serem normais, eram sinais de DDA. Não, DDA não se resume a hiperatividade… emoticon   E com 30 anos de vida nas costas chorei ao ler um depoimento que me descrevia melhor do que qualquer coisa que eu tivesse produzido sobre minha própria vida.

Estalo!!! Certezas!!! Finalmente tanta coisa se "explicou".

E assim se iniciou a tal da nova fase. Quando você entende o processo passa a conseguir interferir. E isso é muito, muito legal.

Bem-vindos à nova jornada. emoticon

July 30, 2009

(Con)fusões

Filed under: Comportamento

Dado os últimos movimentos da crise econômica, muitas empresas resolveram "unir" forças para sobreviver às novas condições de mercado. Em casa minha mãe, minha irmã, meu marido e eu estamos "em processo de fusão". E trabalhamos em empresas diferentes e de diversos setores… Eu mesma já passei por quatro fusões e por umas três reestruturações e "sobrevivi".

A fusão (ou compra, ou venda, ou JV, ou qualquer tipo de mudança estrutural) é realmente muito assustadora. Primeiro porque ninguém tem informações confiáveis e rapidamente a rádio-peão (ou TV corredor) se instala perto da máquina de café.

Certa vez (em uma outra fusão) chegaram a falar em lista de demitidos com 2.000 nomes. Como a empresa tinha 2.500 funcionários, a mentira era tão absurda que chegaria a ser risível. Mas como a adrenalina estava em níveis estratosféricos, MUITOS não pararam para pensar que se isso fosse verdade, a outra empresa não precisaria da nossa. Era só comprar as máquinas e processadores diretamente da fábrica que saia muito mais barato… O resultado é que muita gente chutou o balde, meteu o pé na jaca ou qualquer outra expressão que o valha e ou pediu demissão ou começou a agir como se a "coisa" já estivesse definida e acabou mesmo sendo demitido. A velha tragédia anunciada.

O segundo ponto assustador dessas mudanças é que algumas pessoas começam a mostrar quem realmente são. Gente que até então era legal, considerado "amigão" e prestativo, passa a te olhar com desconfiança, não te passa mais emails ou tarefas e se se dispõe a fazer o SEU trabalho. Se houver mudanças de áreas então… Dificilmente você conseguirá que alguém que estava na área te passe o histórico com boa vontade. A maioria começará a dar desculpas de que não tem tempo, que não sabe ou que não é com ele… Ruim mesmo…

Sobreviva às fusões:

=> EVITE de todo jeito acreditar em QUALQUER notícia da rádio-peão. Desconfie até de notícias que seu chefe dá "em off". Fique atento sim, principalmente às ações (preste atenção em emails, suspensão de benefícios, alterações de cargos, mudanças de áreas). As ações seguem um plano definido, as informações de corredor não. Esse período é bastante estressante, então não sofra por antecipação de alguma coisa que nem verdade é.

=> VISTA a camisa da nova companhia. É lógico que sua empresa "antiga" tinha coisas melhores (e possivelmente também piores). Mas esqueça isso. Nenhuma reclamação vai fazer voltar qualquer benefício… Se você estiver engajado na nova equipe, é muito mais provável que você continue nela do que aqueles que permanecem lamentando o presente e relembrando o passado.

=> Não esconda informações. Em algum momento elas aparecerão e/ou você terá que dar explicações. Se tiver que mudar de área, tente deixar suas tarefas e arquivos disponíveis e com as observações necessárias. Definitivamente não é mérito nenhum "ter que trabalhar em duas áreas" porque você não tem tempo de passar suas antigas tarefas. Você não se torna mais "empregável" por isso.

=> Em compensação, faça e retome contatos em áreas diversas. Não fale com os outros como se estivesse procurando emprego, mas deixe as portas abertas em diversas áreas. Pode ser útil até mesmo se você ficar, mas se aquele cara chato acabar virando seu chefe.

=> CALMA. É difícil nessa hora, eu sei. Mas se precisar, reestruture sua vida para conseguir fazer exercícios ou uma atividade que te dê prazer (pintar, viajar, voluntariado). Se não estiver conseguindo, procure ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. Por incrível que pareça, trabalhar 18 horas por dia também não garante uma colocação. O volume de trabalho tende a aumentar sim, mas controle-se…excesso de hora extra, entregas ruins e estresse só atrapalham. Lembre-se que os novos líderes já estão observando quem consegue trabalhar sob pressão, por isso continue sabendo dosar, dizer NÃO se for preciso, colaborar com idéias e todas aquelas dicas que te fazem ser um funcionário diferenciado.

=> Tente gastar menos e juntar tudo o que sobrar para uma eventual emergência. O ideal seria ter uma reserva de seis meses de salário em renda fixa ou poupança. Mas se não tem, comece já a separar um pouquinho. Já ajuda.

=> Refaça seu CV mas não tome atitudes precipitadas. Lembre-se de todas as dicas acima. Se quiser, converse com seu chefe ou com o chefe do chefe sobre um feedback sincero. Não se feche a contatos de fora (que costumam acontecer nessas épocas) nem aceite a primeira oportunidade que aparecer. Balanceie BEM os prós e contras de cada opção para tomar uma decisão embasada.

Boa sorte!

July 22, 2009

Chefes Novatos

Filed under: Comportamento

Para a alta direção da empresa, eles são os caras que centralizarão as demandas, que resolverão conflitos internos e que distribuirão as tarefas fazendo cumprir prazos e níveis de qualidade.

Para o "povão", eles são aqueles que "seguram a bronca", que defendem, que orientam, que indicam o caminho, que mostram para "os de cima" que aquela idéia mirabolante não é possível.

Eles são os GERENTES (ou coordenadores, ou supervisores, ou média gerência, ou seja lá o nome que sua empresa dá).

Se tudo isso aí em cima é verdade, me apresente para um…

Pois é. A maioria deles não desempenha exatamente esses papéis de "ponte", "equilíbrio", "proteção com responsabilidade". E isso tem muito a ver com a evolução do RH e da carreira ao longo dos tempos.

As empresas foram buscando gerentes cada vez mais novos, antecipando programas de trainee e criando programas de "talentos" para driblar a concorrência e atingir um público mais seleto. Ao mesmo tempo as pessoas passaram a se preocupar com uma carreira rápida com crescimento vertical em taxas altas, respondendo às bolhas de crescimento econômico e globalização.

Ou seja… tem cada vez mais gente no Mundo querendo ser "alguma coisa". Gente que "tem que se diferenciar" por causa da "concorrência", como orientam seus pais. Gente que faz uma porção de cursos teóricos como graduação, pós-graduação, MBA, inglês, espanhol. E que acham que esse esforço deve ser recompensado com promoções e cargos gerenciais.

O resultado é que as pessoas se tornam competitivas, não desenvolvem inteligência emocional, não sabem resolver seus próprios problemas (muitas vezes nem reconhecem que tem um problema) e querem gerenciar pessoas.

É um desastre.

Os funcionários se estressam, trocam de empresa por qualquer real a mais e o círculo se perpetua.

Quebre isso. Revolte-se. Mude.

Se você é vítima funcionário, aprenda a ter amor próprio. É difícil, eu sei. Muitos são os gerentes que matam a sua vida pessoal, a sua auto-estima, a sua "vida". Quase ninguém pode simplesmente xingar o chefe e ir embora. Mas dá para mudar.

Primeiro: tenha vida pessoal. Se seu chefe não sabe controlar as demandas, o problema é dele. Desestresse com atividades de voluntariado, faça atividade física, cultive algum hobby. Se você morrer, eu GARANTO que seu chefe repõe sua vaga. E só. Tenha ciência que a empresa NÃO vai parar nem acabar por isso. Colabore, goste da empresa, mas não se mate por ela. Se precisar cortar gente, eles o farão. Não duvide disso.

Segundo: busque apoio. Se seu chefe não sabe dizer "não", procure negociar prazos diretamente com a parte envolvida. Mesmo que na hierarquia ele esteja acima do seu "querido". Faça numa boa, não desafiando, mas mostrando sua capacidade. Do tipo "olá chefe do chefe. O idiota chefe pediu uma tarefa para hoje à noite, mas as bases estão lentas. Posso te entregar amanhã?". O máximo que vai ouvir é um "tenho reunião hoje e preciso desses relatórios". Mas acredite: em 95% dos casos que eu fiz isso descobri que meu cacique tinha mentido na urgência e/ou no prazo (quando não nas condições de entrega também).

Depois comunique ao seu gerente com um "Fulano, você não estava por aqui e houve uma mudança na data. Entregarei os relatórios amanhã com o de acordo do Ciclano".

Os "ciclanos" gostam muito de gente que sabe o que fala e economiza o tempo deles.

Terceiro: Se seu gerente é muito castrador, tente mudar de área. Converse informalmente com alguém de outro setor, pergunte como é o trabalho, se tem vaga. Mostre-se disponível para "novos desafios". Mas NUNCA, NUNCA fale mal do chefe, mesmo que a outra pessoa comece a conversa por aí. Ninguém quer ser o "próximo" alvo de sua fúria.

Quarto: Se você trabalha numa empresa de idiotas (acredite: elas existem): SAIA. Prepare o CV atualizado (no site efetividade.net tem várias dicas legais) e distribua por aí. Avise os amigos. Converse com head hunters. Verifique sites sérios de empregos (como a Catho). Preencha CVs nos sites de empresas que te interessam. NÃO se mate.

Se você é um sênior "forçando" para virar chefe, CUIDADO!!!! Não importa o quanto você sabe de um assunto => lembre-se que o importante para ser um bom líder é saber PEDIR e não FAZER.

Invista em cursos sim, mas os que ensinam a lidar com PESSOAS. Converse com líderes que você admira, peça conselhos. Leia livros como o "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" (esqueça o título, o livro é ótimo), e "Inteligência Emocional".

Saiba ESPERAR. É duro, é triste, mas é necessário. Escute com atenção aqueles que dizem que você não está pronto. Melhor ter paciência do que ser colocado lá e fazer papelão.

Se você é um gerente, as dicas são quase infinitas… Rs

Saiba que você não é um analista, portanto, não faça. Peça. Mesmo que demore. Mesmo que você tenha certeza que faria melhor. O seu papel é orientar, fazer as pessoas se desenvolverem. O seu sucesso é o sucesso da equipe. Não compita com ela. É infantil e mostra o tanto que você é despreparado.

Não adianta fala SIM para tudo o que seu chefe pede. Sua função é filtrar, mostrar um caminho viável, explicar. Se você não faz isso, ninguém precisa de você.

Se você acabou de descobrir que gosta mesmo é de "mão na massa", procure carreiras em Y. Grandes empresas já contam com esse recurso. Se informe sobre essa possibilidade e deixe sua equipe sobreviver em paz…

Se você é um executivo, MUITO CUIDADO com a sua gerência média. MUITO. Fique atento a fatos como alto índice de rotatividade, faltas, demissões (voluntárias ou não), atrasos, acidentes (principalmente os que geram CAT). Muito provavelmente você está com problemas nessa camada.

Tente conversar com alguns analistas (nada de pesquisa interna, todos desconfiam da divulgação dos resultados e mentem). Tente observar os trabalhos apresentados. Pode fazer testes como pedir alguma coisa com urgência e mudar completamente os parâmetros várias vezes. Te atenderam sem questionar? Não pediram motivos, objetivos, destinatários? Não sugeriram melhorias? Não pediram prazo adicional? Para cada "SIM" respondido some 25. Depois acrescente o resultado à frase "Tenho __ % de probabilidade de estar com problemas nessa gerência."

Quando for escolher o próximo, tente se ater menos a diplomas e mais a aptidões, menos a frases prontas e mais a atitudes. Provavelmente você terá uma empresa melhor em pouco tempo.

Abrs!!!

July 13, 2009

Procrastinação

Filed under: Comportamento

Eu procrastino e você?

Não é bonito dizer isso, mas é verdade. Procrastinação vira "vício"…

Procrastinar é o ato de "deixar para mais tarde", fazer o que tem que ser feito no limite do prazo de entrega. Não é atrasar, nem dar desculpas esfarrapadas. Não é descontrole de prazo por excesso de tarefas ou por falta de priorização. É simplesmente ir deixando… ir deixando… até que você TENHA que fazer.

Dá frio na barriga, calafrios, uma certa atribulação de pensamentos. Você tem que correr, se concentrar, torcer para que tudo dê certo.

Aí você pergunta: "se é tão "ruim" assim, por que vira vício?". Pelo mesmo motivo que alguém salta de para-quedas, mergulha com tubarões, escala montanhas. Porque gera adrenalina, porque mexe efetivamente com seu organismo liberando substâncias que conduzem ao bem-estar no final do processo. Um pouco de "diversão radical" (questionável é verdade) dentro do ambiente corporativo.

A boa notícia é que chefes não precisam mandar embora os procrastinadores. Em geral o "viciado" é bem inteligente e acaba fazendo num espaço bem curto o que outros funcionários levam mais tempo para terminar. As entregas costumam ser de boa qualidade também. Já se o cara quebra os prazos ou entrega sem qualidade, o problema não é a procrastinação por diversão. Nesse caso a solução é outra…

"Mas se for por "diversão", qual é o problema?"

O problema é que se alguma coisa der errado, como um sistema fora do ar, outro funcionário que atrasa um relatório ou coisa parecida, #ferrou. Não vai dar para entregar. E aí toca virar noite, trabalhar aos finais de semana, levar coisas para terminar em casa. Pode dar gastrite, dor de cabeça, insônia, stress. A continuidade de situações assim pode levar a depressão ou ao burnout, que são situações bem sérias.

Então como reagir?

1) se você é procrastinador:

- Tenha ciência dos malefícios. Se você não QUISER mudar, não vai mudar.

- Faça lista das tarefas com prazos finais. Não tente se enganar. Aquela história de adiantar o despertador para cinco minutos antes não funciona, e você sabe disso. A lista deve ser visível e em meio que você USE: agenda, papel, Outlook, Excel, Post-It.

- Pense bem naquilo que você GOSTA de fazer: internet, blog, telefone, brincar com o cachorro. Pois é: é isso que você vai usar em seu favor. Não adianta abandonar o cachorro, devolver o telefone e bloquear a internet: você vai se estressar mais e logo abandonará a "reabilitação".

- Todos os dias reveja sua lista, defina as prioridades e estabeleça metas pequenas (realizáveis no próprio dia). Essa é a PRIMEIRA coisa a ser feita no dia, TODOS os dias.

- Lembra-se de suas diversões? Pois é. Elas ficarão para DEPOIS das metas cumpridas. Terminou tudo antes do almoço? Legal… tarde livre para você. Não terminou? Nada de burlar as regras… elas se acumularão para o dia seguinte.

Com o tempo você se acostumará e vai conseguir mais vantagens como conseguir conferir melhor antes de entregar, ter mais tempo para atividades fora da empresa e menos sinais de problemas de saúde.

Lembre-se que não vale dar uma "olhadinha" no blog enquanto o sistema "carrega"… Quando você se der conta é hora do almoço e suas metas continuam lá, empilhadas.

2) se você é chefe de um:

- Não lhe dê mais tarefas "de graça". Não adianta deixá-lo super-ocupado com tarefas que não são importantes ou que não são necessárias "de verdade". Ele vai se estressar mais ainda e não vai entregar com qualidade. Lembre-se que ele entrega no prazo médio dos demais funcionários. Só "force" se a área realmente estiver "atolada" de trabalho.

- Não tente tirar todas as distrações. Se ele quiser, vai conseguir jogar easter eggs no próprio Excel, ou vai se distrair com a máquina do café ou com os papéizinhos do canto do caderno…

- Para ajudar, dê prazos bem claros e cobre QUALIDADE. Desafie-o a ser melhor do que ele mesmo.

Mais algum viciado por aí?

July 8, 2009

Análise - Pão de Açúcar

Filed under: Antítese do MKT

Boa tarde!

A idéia desse novo espaço é simples: analisar as ações de marketing de algumas empresas sob a ótica de consumidores, mas sem esquecer o que interessa: a efetividade da coisa.

Não tem valor científico nenhum, afinal o tal "consumidor analisado" sou eu mesma e mais meia dúzia de gato pingado que está sóbria o suficiente para falar desses assuntos num happy hour… Mas serve para darmos algumas risadas…

As contribuições do que acham da CAMPANHA e do que poderia ser melhor, são extremamente bem-vindas. Só não vale vir aqui reclamar do produto ou da empresa… não é esse o foco.

A primeira detonada escolhida é a ação de marketing de fidelidade do Pão de Açúcar. Aquele famoso "Programa Mais".

A parte boa do cartão:

- você tem descontos imediatos em alguns produtos da compra

- eles não ficam te enchendo o saco com milhares de malas diretas com promoções de coisas que você nunca vai precisar, nem ficam ligando no seu celular com aquele irritante "você gostaria de estar compraaando?". Portanto, se tem dúvidas sobre esse ponto, pode fazer o cartão sem medo. Pelo menos por enquanto…

A parte "interessante" da ação:

- Cada real gasto é um ponto acumulado. Muito fácil de fazer a conta…

- Você tem direito a um desconto "adicional" de 50 reais quando atinge a marca dos 6.000 pontos ou 100 reais quando atinge 10.000 (informações passadas via fone).

Juntando as duas observações acima, dá que você tem o "benefício" de receber 1% dos 10.000 reais que você gastou durante sei lá quanto tempo, em produtos da sua próxima compra…

Bom, "é melhor que nada", pensa você… Mas é efetivo?

Pesquisas do data-eu-mesma indicam que não. Quantas pessoas vão querer gastar um tanto a mais por mês, para chegar nos 10.000 pontos e ganhar 100 reais de desconto? Ou seja… a maioria das pessoas vai continuar comprando o mesmo tanto e "se um dia" chegar nesse nível, "beleza".

Sugestões ao querido mercado que fornece minhas comidas (nham):

- poderiam usar brindes ao invés de vale-compras. Dá aquela impressão de "eu sou especial", de que alguém gastou tempo para escolher seu "presente". Senão fica igual ganhar vale-CD de aniversário…

- esses brindes poderiam ser basedos em volume de pontuação vs características geodemográficas ou de compras. Assim: um vinho para alguém que compra esse tipo de bebida com regularidade, uma caixa de papinhas sortidas para mães de bebês (com certeza tem fraldas no histórico), um conjunto de panelas para os "gastadores", etc.

- esses brindes poderiam ser de menor valor (no conceito pontos vs valor do benefício), mas em períodos mais curtos. Não sei quanto tempo em média um consumidor fica com 10.000 pontos, mas com certeza quanto mais "lembrado" você é (dos benefícios), mais você lembra da empresa.

- para marcar a ação de fidelização, pode mandar uma cartinha dando a data da última compra ou relacionando quantos pontos ele já juntou. Enfim… se vira aí para mostrar que uma coisa tem a ver com a outra… (mais que isso só me contratando, né?)

Do ponto de vista da empresa é bom porque eles pagam menos do que o valor percebido pelo cliente. E para o cliente é sempre bom ser lembrado que a empresa não considera (com o perdão do gerundismo) estar fazendo um favor a você…

E aí? Mais alguma sugestão?

 

PS1: imagem copiada do site do PDA (http://www.paodeacucar.com.br/cartao_mais.asp)

PS2: esse post não é pago nem patrocinado de nenhuma maneira (e eu nem juntei os tais 10.000 pontos ainda…)

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